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Economia | 25/09/2013 | 11:12

Preço da gasolina pode ter aumento de 8%

Reajuste deve ser aplicado até o dia 21 de outubro. Gasolina pode custar R$ 3,20 na região.

 

            A notícia é dada como certa por vários especialistas econômicos e financeiros. Prepare o bolso, pois o aumento pode variar de 6% a 8%, mas a recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no final de agosto, indicou espaço de aumento de 5% para os combustíveis. Nesta semana a presidente Dilma Rousseff discutiu com o Ministro da Fazendo Guido Mantega e com a presidente Graça Foster o aumento do combustível.

Com os preços defasados em relação ao mercado internacional em torno de 30%, tanto para a gasolina como para o diesel, a Petrobras vem perdendo cerca de R$ 1 bilhão por mês para importar os combustíveis a preço internacional mais alto do que revende no mercado interno.

            No final de agosto, o governo negou que a presidente Dilma Rousseff tenha discutido reajuste nos preços da gasolina e do diesel. Após apelos da Petrobrás por aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel, e diante das perdas geradas à companhia pela escalada do dólar, integrantes do governo federal já dão como certo um reajuste ainda neste ano. Não há definição nem de percentual nem de quando exatamente o aumento será concedido. “As perdas se acumulam a cada mês. Por ser uma empresa do Governo Federal e também ser o país ser o principal acionista, ele pode segurar o aumento. Mas isso deve acontecer nos próximos dias”, analisa o assessor financeiro, Ricardo Antonello.

            No posto Amigão no centro de Joaçaba, o litro da gasolina comum custa R$ 2,85, já estabelecimento situado, no bairro Vila Pedrini, a gasolina aditivada é de R$ 2,75, enquanto o etanol custa R$ 2,29. Recentemente na realização do Dia do Feirão do Imposto, cerca 800 litros foram comercializados ao valor de R$ 1,32, aonde só o valor de imposto da gasolina chega a 53,03%. “Para o consumidor sempre gera uma perda. Mas para o governo federal, o aumento da gasolina está sendo adiado devido à inflação, já que o aumento do combustível reflete diretamente ao reajuste de transporte e logística”, explicou Antonello.

            Para Maurício Brollo, (23), empresário do ramo da comunicação, que percorre em média 1.500 quilômetros todos os meses, explica esse o valor gasto com combustível tem impacto nos valores cobrados de serviços de filmagens e fotografias, por exemplo. “São R$ 700,00 todos os meses de gasto de combustíveis, para quem usado o carro é bem caro. Nas cidades, por exemplo, meu automóvel faz 7 km de média, na estrada até 15 km de média, tudo é complicado na hora de oferecer os produtos, e o preço do combustível inflaciona nosso trabalho”, reclama o empresário.

            Dilema do Governo Federal

            Na Petrobrás, a percepção é que a "água está batendo no nariz". A estatal compra combustível em dólar e vende em real no Brasil. A situação de caixa, que já não era confortável, agravou-se com a desvalorização cambial verificada no ano, de aproximadamente 20%. O temor é de que, sem o reajuste, a companhia perca o grau de investimento (status de bom pagador) dado pelas agências de classificação de risco.

Nos cálculos internos, a defasagem entre os preços internacionais e nacionais chegou a 30% na semana passada, após o dólar superar a marca de R$ 2,40. A companhia fez todo o seu plano de negócios para os próximos anos com um câmbio a R$ 2,00, daí a extrema preocupação com a escalada do dólar diante do real. Outro problema força a decisão de reajuste neste ano: nenhum governo quer aumentar a gasolina em um ano eleitoral. Dilma concorrerá à reeleição em 2014.

Saiba mais – O novo reajuste no preço da gasolina até 21 de outubro. A data é estratégica para o Palácio do Planalto - neste dia, o primeiro leilão do campo de petróleo e gás natural da camada de pré-sal em Libra (SP) será realizado pelo Governo.

O reajuste nos preços já foi solicitado formalmente pela Petrobras, e serviria para reduzir a diferença entre o custo do combustível comprado pela estatal no exterior e aquele vendido nos postos de gasolina no Brasil.

O aumento do consumo nos últimos três anos tem infligido a estatal com um pesado custo financeiro nas operações de comércio exterior, com impacto na balança comercial brasileira. O recente salto do dólar agravou a situação. A estatal perde cerca de R$ 1 bilhão por mês com a operação. A participação da empresa no leilão em Libra deve exigir cerca de R$ 4,1 bilhões (ou US$ 2 bilhões), estimou o departamento econômico do HSBC.

O martelo está batido, em Brasília, quanto à necessidade de um aumento. Mas segmentos do Governo defendem que o reajuste seja postergado ao menos até o fim do ano, ou mesmo que seja concedido apenas em janeiro de 2014. O principal argumento é a inflação. 

 

Da Redação

Giuliano Pedroso

Foto: Giuliano Pedroso/JDV

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