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Geral | 22/11/2014 | 10:26

“Grinfia” começa a ser filmado na próxima semana em Herval d’ Oeste

Filme documentário conta história do dialeto criado na década de 50 no município.

Gabi Bresola, autora do projeto ao lado de um dos precursores da gíria, Carlos Tratsk. Foto: Paula P

 

 

Foi nos arredores da estação ferroviária de Herval d’Oeste, que na década de 1950, um grupo de engraxates e carregadores de malas, entre 7 e 15 anos de idade, criou uma língua própria, denominada Grinfia. Criada para comunicar secretamente as táticas de futebol e impressões sobre mulheres ou para protegê-los dos “intrusos”, a Grinfia (que significa “gíria'') era a língua franca dos meninos que, sem a autorização dos pais, usavam seus ganhos informais para comprar gibis ou para irem à matinê de cinema. Em de 2010, a Grinfia ou Hervalês como é conhecido na cidade, está viva na lárfia (conversa) dos seus últimos falantes, agora com cerca de 70 anos, que ainda conhecem e decifram os segredos de seus substantivos e pronomes. 

Um filme-documentário contando a história do linguajar criado no município começará a ser filmado na segunda-feira (24). O projeto de vídeo foi vencedor do Prêmio Catarinense de Cinema em 2013, concorrendo com outras 141 propostas de filmes. O “Grinfia” é produzido pela Magnolia Produções. 

 

O projeto é de autoria da hervalense Gabi Bresola de 22 anos, acadêmica em artes visuais pela Udesc e deve contar em até 20 minutos a história e cultura de Herval d’ Oeste, por meio da “Grinfia”. "Quero mostrar a minha terrinha e seus personagens. Nossa cultura é muito rica e precisa de mais investimento. Editais como este tornam possível a ideia de produzir filmes, livros, peças entre outros produtos culturais, que além de servirem para formação de público, geram empregos e nos dão visibilidade", declara Gabi Bresola. O projeto tem investimento de R$ 60 mil, mais o apoio de empresas.

A ideia surgiu depois da adolescência quando tentava adivinhar o que os meninos falavam sobre as meninas. A curiosidade cresceu e com o tempo descobri a história que nunca saiu da cabeça. Gabi se formou no Ensino Médio na Escola Estadual Básica Eugênio Marchetti. A pesquisa para o projeto iniciou há dois anos com o objetivo de produzir um filme-documentário contando a história do linguajar criado nos anos 50 nos arredores da estação ferroviária de Herval d'Oeste. “A equipe e eu estamos ansiosos para iniciar as gravações do documentário 'Grinfia', um projeto que venho pesquisando desde 2010. Essa é a primeira vez que gravo um vídeo meu, contando com profissionais de verdade com um tema que me agrada muito”, enfatiza Gabi.

"Trabalhar com arte em Santa Catarina é difícil, com cinema e em Herval d'Oeste mais ainda. Sem muitas opções, me mudei para Florianópolis, estudei muito e corri atrás, competi com outras pessoas bem mais experientes e profissionais no cinema e acabei vencedor do Prêmio Catarinense de Cinema – 2013 e fiquei surpresa! Para mim, além de ser um reconhecimento do trabalho que desenvolvi até agora é uma realização ter condições, principalmente financeiras, para contar/filmar essa história tão importante e que além de pouco conhecida está sendo esquecida pelos habitantes da cidade”, relata Gabi Bresola que já esteve em Herval d’ Oeste realizando a pré-produção do filme no mês de outubro.

As gravações seguem até o dia 28 de novembro, e após isso ocorrer a edição e reprodução das cópias, em até três meses. O lançamento do documentário deve ocorrer no segundo semestre de 2015 em Herval d’ Oeste.

O objetivo conforme Gabi é inscrever o projeto em festivais de curta metragem no Brasil e também no exterior. “Nos próximos dois anos, queremos inscrever em diversos festivais e o material também pode passar em canais tv e internet”, salienta.

Um dos meninos da década de 50, precursor do hervalês, Carlos Tratsk nascido e criado nas imediações da rede ferroviária irá colaborar com sua história no documentário. “A gurizada inventou essa gíria para se comunicar em códigos. Fui convidado ainda no ano passado pela Gabi para colaborar com meu depoimento. Fico orgulhoso da nossa “Grinfia” ter sido escolhida entre tantos projetos”.

 

Para dizer que “Está tudo bem”, os meninos falavam “Sirne Morne”. O dialeto foi tema do TCC de Alcides Volpato, o Chico (ou Crichio) ao concluir em 2002 o curso de História na Unoesc Joaçaba. Abaixo, alguns significados: 

 

 

Os Meses do ano

 

Janeiro –      Lanergio

Fevereiro–Lefelerveio

Março  -      Tiarcio

Abril -          Alirpio

Maio -         Larmio

Junho -       Nunrigio

Julho –       Lurgio

Agosto –    Lanostio

Setembro–Lenensbrio

Outubro – Lenunsbrio

Novembro–lonembrio

Dezembro-losnembrio

 

 

Números ordinários

 

1 – Urra (unscrio)

2 – Zordio

3 – Zert

4 – Tiarco

5 – Crincio

6 – Zerce

7 – Tiérce

8 – Tioilo

9 – Groile

10 – Zérdio

100 – Rence

1.000 - Riusme

Vocabulário mais usado:

Abraço – Abraiço

Alemão – Alerome

Amanhã – Rosmiã

Amante – Amarintia

Anus – Ruque

Aqui – Acriude

Aquilo – Alirquio

Assunto – assurintio

Baixinho – Charbinho

Bala – Lárbia

Banana –Charbana

Banguela – Banlequia

Banho – Rambio

Baralho – Larárbio

Barbeiro – Barerbio

Bastante – Tiasbante

Batata – Tiarbata

Bater – Bareuche

Bêbado – dierbo

Bebeu – Bereube

Bem – Rembe

Bicha – Chírbia

Bicho – Chírbio

Bilboquê –Biboreuque

Bóla – Lórbia

Bolacha – Lorbiacha

Bolinha – Lorbinha

Bolo – Lorbio

Bom –Rombe, rombio

Boné – Boreuche

Bonitão– Bunirontche

Bosta - Tiósba

Braço – Braiço

Brabo – Brarimbio

Broxar – Brorauche

Bucho – Chúrbio

Bulica – Lurbica

Bunda – tiumba

Buraco –Lurbiáco

Burro – Rúrbio

Buscar – Burasque

Beber – Berebe

Cabeça –Brauquercia

Cabelo – Calerbio

Cacete – Catierse

Cachaça – Cabracha

Cachorro – Charcoro

Cadeia –Diarequia

Cadeira – Lanerquia

Café – Caréufe

Cagar – tiargar

Calça – Zarquia

Calção – Caronce

Campinho - canrimpio

Camisa – Marquisa

Carne – Nárquia

Carro – Raquio

Carteira –Tchaureuca

Casa – Zarquia

Casar – Zarquiar

Cavalo – Calárvio

Cerveja – Breceja

Chapéu – Chareupe

Chegar – Greissar

Chover – Choreuve

Chupar – Churaupe

Chutar – Churautcha

Cigarro – Grissáro

Cinema – Minêrcia

Cunhado - Rudiarco

CocaCola-tiorcaLorca

Coisa – Zorquia

Colono –Leonorquio

Comer – Coreme

Comida – Rango

Comprar – Tiompar

Comprender – Comprereudhe

Contar – Tioncar

Conversa – Lárfia

Coxa – chorquia

Cunhada - rudiarca

Certo – Cerintio

Dar – Radiar

Deixar – Derautche

Dela – De Leda Demais – Desarme

Depois – Deroispe

Descer – Dereusse

Dia – Ridia

Dinheiro – Nibra

Dono – Nordio

Dormir-Nurmir/murdir

Duro – Rúdio

Ela – Leda

Ele – Lede

Embaixo–Em Chárbio

Em Cima – Em Mírcia

Embora – Emlórbia–Emprestar–Entiespar

Engraxar – Engrarauche

Engraxate – Engrarexe

Esconder – Escoreudie

Estação – Estaronse

Este - Serde

Eu - Mírco

Faca – Grifia - Nárfia

Facão – Faronque

Fala – Lárfia

Fazer – Fareuze

Feijão – Feronje

Feio – Lerfio

Ferro – Lérfio

Filho/a – Lirfio/a

Ficar - Firauque

Flor – Rorinzia

Fogão - Forongue

Fogo – Groifo

Foi – Roife

Fora – Lorfia, rórfia

Fósforo – Foríncio

Fulano – Morne (Móile)

Fumar – Murfiá

Fumo – Múrfio

Gibi – Giriube

Gostou – Gorostie

Hospital– hospirautie

Inchado – Incharíndio

Irmã/o Melã(ão)

Jacu – Jaruque

Jogar – Grojar

Jogo – Grojo

Ladrão – Borrão

Leitão – Lerontie

Limão – Lirome

Livro – Tirvio

Louco – Croilo

Macaco – Matiarco

Maconha –Maronquia

Mãe – Raime

Mala – Lármia

Mão – Rome

Matar – tiasmar

Me De – Me Radia

Meio – Lermio

Meio Dia – Meio Ridia

Menina(o)-resmina(o)

Mentira – Miritcha

Meu – Mirco – Reume

Mijar – Chirmiar

Minha – Rímia (mirca)

Missa – Sirmia

Moça – Sormia

Morcília – Munircia

mortadela–mortalédia

Mula – Lúrmia

Mulher – Rosmié

Mesa – Resmia

Mulher Boa – Rombia

Namorada – Grínfia

Não – Rone

Negro – Grenio

Noite -Noirintia, tiorne

Ovo – Vroilo

Pacote – Patiorque

Pai – Raipe

Palhaço – Larpiaço

Pão – Rompe

Papel – Paréupe

Patrão – Parontche

Pau – Raupe

Pé – Réupe

Pedaço – Peçardio

Pegar – Gopar

Peixe – Xerpio

Pelado – Lerpiado

Pêlo – Lêrpio

Perna – Nérpia

Pente - Tiempe

Perdeu – Pereudie

Pescar – Perasque

Pescoço - Perosquio

Piá/Gurí – Piárro

Picolé – Picoréutche

Polenta – Lorpienta

Polícia–Lurpícia ,trusca

Ponte – Tiompe

Porque – poreuque

Porta – Tiorpa

Pouco – Porinquio

Prefeito - pretierfo

Prefeitura–  Preferutia

Professor- proferorse

Professora –proferorsa,

proferosquia

Puta – Tiurpa/Purintia

Qualquer-Quaréuque

Quem – Renque

Quer – Réuque

Quilo – Lírquio

Real - Tionco/Grana

Relação Sexual–Diorfar

Repolho – Relorpio

Revólver – Relórvio

Rio – Riorinsio

Roubar –Borrar

Sabão – Sarompe

Sabe – Bráisse

Saber – Braisser

Saco - Cráicio

Sacola – Salórquia

Salame – Larciame

Sapatão- saparontche

Sapato- Canapraisso

Segurar – Grunhar

Sem grana(Duro)-Rúdio

Sexo – Diorfar

Sim – Sirne

Sofá – Soraufe

Sogra – Gróissa

Sogro – Groisso

Sopa – Sorpia

Subiu – Suriube

Sumiu – Suriume

Também – Tarembe

Telefone – Teleronfe

Televisão – Televironze

Tem – Rentie

Teu – Reutie

Tua - Rutia

Tio – Nirtchio/Riutche

Tomar – Torame

Trabalhar – Batalhar – Braucaiá/Trararbiá

Trabalho – Trarárbio

Trem – Trenisio

Trocar – Trorauque

Vagina – Bucrancia

Vai – Raives

Velha/o – Lérvia(o)

Venha – Renvia

Vez – Reives

Viado– Vibrailo, viarintio

Vida – Tirvia

Você – Voresque

Vou – Roivos

Xepa – Brecha

Xícara – Cricha

Zona - Norzia

 

 

 

 

Fonte: Paula Patussi
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